quarta-feira, 1 de abril de 2009

Surprising Louse

Personagens :)
Um: atrópode normalmente exaltado por um expressivo "ai, que nojo". Mais comum em zonas com pouco acesso a condições mínimas de higiene e saneamento básico. Sim, o piolho. Não aquele da cabeça, um dos outros, o corporal: Pediculus humanus corporis.
Outro: mtDNA, o DNA mitocondrial. Conhecidamente (pelo menos nas mais de 1500 espécies que já tiveram seu mtDNA sequenciado) um único cromossomo circular possuido
r de cerca de 37 genes associados, em sua maioria, ao funcionamento da mitocôndria. Herança unicamente materna.
Em que história tais personagens se cruzam? Bom, isso na verdade não ficou muito criativo, então vocês já devem saber.
Renfu Shao e colaboradores, da Universidade de Queensland, na Austrália, fizeram uma descoberta bastante curiosa: o tal piolho que eu falei antes, aquele da coceira, sabe? Pois é, sabe quantos mtDNA ele tem? 18. Isso aí! Esse pequenino animal possui 18 mini- mtDNAs, com cerca de 3 a 4 kb cada um. E os tais genes mitocondriais, que normalmente estariam no único cromossomo, estão divididos entre esses 18.
Mas por que, afinal? Qual seria a vantagem evolutiva disso? Uma coisa é certa: como o DNA mitocondrial (assim como o procarioto) faz a replicação e transcrição de todos os seus genes de uma vez só, estando partes deste DNA separados e replicando e sendo transcritos ao mesmo tempo, a eficiência final dos processos seria muito maior.
Mas o romance não é assim tão simples. Com esses processos individuais, cada um dos 18 mini-mtDNAs necessita ter uma origem de replicação também individual. Isso seria gasto energético maior.
Shao então comenta que a evolução dessa parafernalha toda não foi de uma hora para outra. Provavelmente esses mtDNAs foram gerados a partir de uma série de eventos de excisão e união de fragmentos (no caso, foram alguns genes mais uma região controladora não codificante) do mtDNA original durante um período bem longo de anos. Então, o fragmento formado deve ter "funcionado melhor" do que a região correspondente no mtDNA original, e a região redundante no cromossomo grandão deve ter sido deletada. E assim se seguiram os eventos até os 18 anões atuais.
Ainda é especulativo como o piolho "faz" funcionar a maquinaria fisiológica de manejo de tantos cromossomos pequenos, mas o mistério, se depender desta equipe "shaolistica", será desvendado em breve. O que eles garantem é que, independente do que for (custos, gastos energéticos e dificuldade para evitar erros), o sistema tem funcionado, já que o piolho ainda existe!

domingo, 15 de março de 2009

Fleurs








Fotografar.
A busca do melhor ângulo, da melhor luz.
Ou um simples achado parecendo perfeito, pronto por encomenda.
Flores sabem ser extremamente fotogênicas, você não acha?




sábado, 14 de março de 2009

Parroting virus

Saiu na The Scientist um artigo bem interessante reportando um estudo publicado na revista Virology Journal:
Joseph DeRisis, da University of California, em conjunto com alguns outros cientistas, descobriram uma "posição" para o vírus causador da Proventricular Dilatation Disease (PDD), uma doença que pode exterminar grandes bandos de aves, como papagaios, após algum tempo de incubação na população.
Utilizando um "aparelhinho" muito simpático chamado Virochip, que contém um arranjo das seqüências genéticas de todos os vírus até hoje conhecidos, conseguiram chegar a uma família de vírus à qual a espécie causadora da PDD se assemelhasse, pelo menos em partes.
Este Virochip tem se mostrado muito mais eficiente que a PCR, por exemplo, visto que é possível a aproximação de vírus "não muito iguais", se tomássemos como base o sistema percentual.
E adivinhe só com quem este belo não-ser-vivo mais se assemelhou (apesar de em apenas 70%)? O bornavirus, um vírus altamente conservado, que pensava-se somente infectar mamíferos, como cavalos. Assim, estes pesquisadores tiveram uma dimensão da família do bornavirus, que provavelmente é bem maior do que se pensava. E, segundo eles, é bem possível que logo, logo, se encontrem exemplares infectando outras classes de animais.







Moon of Bacteria


Um estafilobilhão de cocos corados.
Da minha mão.
Sim.
O pior é que foi depois de muito sabão.

Que bacana né?

Calma, você nunca ouviu falar de microbiota normal?